As atualizações de segurança são aqueles avisos que aparecem no ecrã e que muitos utilizadores adiam indefinidamente. Opções como “Atualizar depois” ou “Lembrar-me mais tarde” traduzem-se numa procrastinação que parece inofensiva, mas que coloca o utilizador em risco real todos os dias. Muitos utilizadores desconhecem que cada atualização adiada constitui uma vulnerabilidade que fica exposta aos atacantes.
A verdade é que 90% dos ataques cibernéticos exploram vulnerabilidades que já foram devidamente corrigidas. Isto significa que, se não atualiza o sistema, está a utilizar um portão aberto para os atacantes.
O que é uma atualização de segurança e por que razão existem
A atualização de segurança é uma correção (conhecida tecnicamente como patch) que o fabricante de software lança no mercado para eliminar vulnerabilidades, ou seja, as falhas descobertas no código que os atacantes podem explorar.
Quando a Microsoft lança a sua “Patch Tuesday”, realizada todas as terças-feiras, o objetivo não se foca apenas em adicionar novas funcionalidades. O processo serve para corrigir as falhas de segurança descobertas. Se não instalar essas correções, as falhas permanecem abertas no seu sistema, comprometendo a conformidade com as normas de segurança da ENISA.
As vulnerabilidades funcionam de forma previsível: um investigador de segurança descobre uma falha e reporta-a ao fabricante e o fabricante cria uma correção. Contudo, existe um hiato temporal entre a descoberta e a correção, e outro período entre a disponibilização do mecanismo e a instalação por parte do utilizador. Durante estes períodos, os atacantes exploram a vulnerabilidade exposta nos computadores que se encontram desprotegidos.
Por que razão adiar as atualizações é perigoso
Compreender este impacto é essencial antes de continuar a operar. Quando adia uma atualização, o utilizador está, na verdade, a deixar as vulnerabilidades conhecidas abertas no seu sistema. São falhas que os atacantes sabem exatamente como explorar, uma vez que a correção já é pública, o que significa que o código da falha foi divulgado ao mercado.
Isto não ocorre por coincidência, mas sim por estratégia comercial dos criminosos: os atacantes sabem que nem todos os utilizadores atualizam os sistemas em tempo útil. Portanto, focam-se em explorar falhas que poderiam ter sido fechadas com um único clique.
Para que tipo de utilizador as atualizações são críticas
As atualizações de segurança são absolutamente críticas para garantir a autoridade de mercado e a previsibilidade de:
- Os utilizadores com dados sensíveis: Pessoas com as passwords, os documentos bancários e os comprovativos de identidade armazenados no computador.
- Os profissionais com acesso a informações de negócio: Colaboradores que gerem os e-mails corporativos, os ficheiros confidenciais e os dados dos clientes.
- Os utilizadores frequentes de serviços bancários online: Qualquer transação financeira através do homebanking beneficia diretamente de um sistema atualizado.
- As PME e pequenas empresas: Constituem frequentemente o alvo principal porque detêm menos estruturas de proteção do que as grandes empresas.
- Os utilizadores que operam em trabalho remoto: O acesso às redes corporativas a partir de casa exige a máxima segurança do terminal.
Método para compreender o risco e o benefício
A abordagem que desenvolvemos, à qual chamamos Método PVFA, estrutura as razões para não adiar o processo:
- P — O padrão: Consiste em identificar quais são as vulnerabilidades conhecidas que se encontram em aberto no seu sistema neste momento.
- V — A velocidade: Baseia-se em compreender que a exploração das falhas por parte dos atacantes começa escassas horas ou dias após a correção se tornar pública.
- F — A frequência: As atualizações são contínuas, pelo que se deve estabelecer um cronograma assente na automação ou numa rotina manual periódica.
- A — A ação: Centra-se em implementar uma rotina simples que funcione de forma autónoma, sem exigir um esforço consciente e contínuo do utilizador.
5 Razões críticas para não adiar as atualizações de segurança
1. Os ataques exploram as vulnerabilidades conhecidas de forma imediata
Quando uma correção é lançada, o código da vulnerabilidade torna-se público, o que significa que os atacantes passam a saber exatamente qual é a falha e como a explorar. Em março de 2024, por exemplo, a Microsoft lançou uma atualização com correções críticas para o Office. Horas depois, os atacantes já se encontravam a explorar os sistemas dos utilizadores que não tinham efetuado a instalação.
2. O ransomware e o malware utilizam as falhas como porta de entrada
O ransomware entra através de uma falha desprotegida, cifra todos os seus ficheiros e exige um resgate financeiro para devolver o acesso aos dados. Se a vulnerabilidade que permitiu a entrada já tivesse sido corrigida, o vírus não conseguiria infetar a máquina. Portanto, adiar uma atualização equivale a deixar a porta aberta para o ransomware.
3. O phishing torna-se muito mais eficaz com um sistema desprotegido
O phishing assenta num e-mail fraudulento que replica uma comunicação legítima. Ao clicar, o utilizador instala o malware. Se o seu sistema estiver atualizado, as camadas de proteção bloqueiam o ficheiro malicioso. Caso contrário, o malware entra livremente. O phishing regista maior taxa de sucesso quando encontra uma vulnerabilidade exposta no sistema.
4. A proteção dos dados pessoais, das passwords e dos ficheiros sensíveis
Com um sistema comprometido, os atacantes obtêm acesso integral aos e-mails, aos ficheiros bancários, aos comprovativos e às fotografias. Se tem as credenciais armazenadas no navegador ou dados guardados no disco, o atacante consegue recolhê-los. Ao aceder ao seu e-mail, os criminosos conseguem redefinir as passwords de qualquer serviço externo. O custo de uma atualização é zero, mas o custo de uma violação de dados pode ser a perda do negócio.
5. O risco acumula-se e eleva a probabilidade de intrusão
As atualizações pendentes acumulam-se com o tempo. Se permanecer três meses sem atualizar o equipamento, passará a gerir doze a quinze correções em atraso, o que representa doze a quinze vulnerabilidades expostas. Quanto mais tempo aguardar, mais vulnerável o seu sistema ficará de forma exponencial.
Tabela de risco: o cronograma do impacto ao adiar a proteção
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Período sem Atualizar
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Vulnerabilidades Expostas
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Risco de Ataque
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Estado da Infraestrutura
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Menos de 1 semana
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0 a 2
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Baixo
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Situação aceitável, mas deve atualizar logo
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1 a 2 semanas
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2 a 4
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Médio
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O risco começa a manifestar-se no sistema
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2 a 4 semanas
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4 a 8
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Alto
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A máquina encontra-se exposta às ameaças
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1 a 3 meses
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12 a 15
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Muito Alto
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É provável que o sistema já tenha sido comprometido
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3 a 6 meses
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25 a 40
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Crítico
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O sistema constitui um alvo prioritário no mercado
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Mais de 6 meses
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Mais de 40
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Extremo
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É praticamente certo que a estrutura esteja infetada
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4 Mitos comuns que colocam os sistemas em risco
- Mito 1: “As atualizações tornam o computador mais lento”: As atualizações de segurança não adicionam funcionalidades pesadas que consomem recursos, tratando-se apenas de correções de código. Em muitos casos, o sistema fica mais rápido porque o processo elimina rotinas maliciosas ocultas. O elemento que consome os recursos do hardware é o malware que entra devido à falta de atualização.
- Mito 2: “Utilizo um antivírus, pelo que não preciso de atualizar o sistema”: O antivírus constitui uma camada de proteção, enquanto as atualizações representam outra barreira independente. A segurança do seu negócio exige a combinação de ambas. O antivírus deteta o malware conhecido, mas as atualizações fecham as falhas por onde as ameaças entram. Operar sem atualizar equivale a trancar a porta da frente e deixar a janela aberta.
- Mito 3: “Posso atualizar o equipamento quando tiver tempo livre”: Se o computador se encontra ligado à Internet, os atacantes detêm a capacidade de realizar acessos a qualquer hora. Não existem períodos seguros para manter uma vulnerabilidade exposta. O processo de atualização e reinicialização demora entre 10 a 30 minutos, ao passo que o risco de sofrer uma intrusão está ativo 24 horas por dia.
- Mito 4: “As atualizações forçadas são uma tática da Microsoft para vender suporte”: A Microsoft desenvolve o seu modelo de negócio com base na segurança do ecossistema, incluindo a venda de soluções cloud e software especializado. Garantir que os clientes possuem sistemas seguros eleva a confiança global na tecnologia, pelo que a disponibilização gratuita de correções constitui um investimento na fiabilidade da marca.
FAQ
É seguro desativar as atualizações automáticas do sistema?
Sim, o utilizador detém a capacidade técnica de as desativar, mas essa prática não é recomendada. Ao desativar a automação, a responsabilidade de monitorização passa a ser exclusivamente sua. Os dados de mercado demonstram que os utilizadores que desativam esta opção raramente executam as correções de forma manual.
Se o computador for antigo, o sistema recusa as atualizações?
Sim, este cenário pode ocorrer. Caso o equipamento seja muito antigo, o fabricante pode ter descontinuado o suporte oficial. Perante este contexto, deve avaliar a aquisição de um novo equipamento ou restringir a utilização do computador a tarefas não sensíveis, evitando aceder a serviços bancários ou gerir dados pessoais.
O processo de atualização de segurança pode eliminar os meus dados?
Não, as atualizações de segurança foram desenvolvidas para corrigir o código do sistema operativo e não eliminam os dados pessoais dos utilizadores. A perda de informação é um cenário raro que apenas ocorre caso se verifique um conflito severo com um software de terceiros que se encontre obsoleto.
Quanto tempo demora a conclusão de uma atualização comum?
A operação demora habitualmente entre 10 a 30 minutos, incluindo o tempo necessário para o reinício do sistema. O período de espera pode ser superior caso o equipamento apresente um volume elevado de atualizações acumuladas em atraso.
Se o computador operar em modo offline, continua a ser necessário atualizar?
Caso o equipamento nunca seja ligado à Internet ou a uma rede local, tecnicamente o risco está contido e não necessita de correções imediatas. Contudo, na realidade atual, praticamente todos os computadores se ligam à rede externa, pelo que a atualização se mantém como um requisito obrigatório.
As atualizações de segurança não constituem uma exigência incómoda por parte dos fabricantes, mas sim portarias técnicas que vedam o acesso aos atacantes. Adiar o processo representa uma escolha voluntária por permanecer vulnerável no mercado.
Os indicadores estatísticos são claros: 90% dos ataques cibernéticos de sucesso exploram vulnerabilidades que já dispunham de correção pública. Isto significa que um parque informático desatualizado assume o estatuto de alvo prioritário porque os criminosos conhecem as falhas existentes.
Na Webtech, apoiamos os utilizadores e as empresas a implementar as melhores rotinas de segurança, desde a configuração de atualizações automáticas até à gestão centralizada de sistemas. Se procura garantir a previsibilidade e a proteção da sua estrutura tecnológica, contacte-nos. A segurança do seu negócio inicia-se com o básico: a execução de uma atualização em tempo útil.